29 de mar de 2016

A esquerda não fala nossa língua

#nãovaitergolpe #vaiterluta



Uma das falhas mais evidentes da esquerda é na comunicação. Não o fato de ter pouco espaço nos jornais de grande circulação, revistas e canais relevantes de TV, tampouco a língua enrolada que é epidemia nas lideranças. Falo de terminologia, encadeamento de idéias e análises ruins.


Por um lado o discurso médio da esquerda consegue, muitas vezes, empatar com o discurso da direita em maniqueísmo e falta de autocrítica. Talvez alguns dos escritores não percebam que lidam com pessoas mais inteligentes e mais cínicas do que antigamente; talvez outra parte pense mesmo que simplesmente a esquerda é do bem e a direita é do mau. Mesma coisa que o discurso médio da direita faz, só que ao contrário.

De forma paradoxal, grande parte dos textos usam conceitos e argumentos antigos, ou mesmo novos mas que só se ouvem nos meios sindicais e de movimentos sociais. Estas palavras e idéias não estão do mapa de referências da maior parte do povo, a quem os escritores deveriam querer atingir. Pior: muitas vezes são simplesmente fantasiosas.

Há honrosas exceções, claro. Mas a maior parte de quem produz conteúdo precisa se atualizar se quiser ser ouvido/lido por mais gente. E tem que entender que essa "mais gente" provavelmente é a mais importante: pessoas mais ao centro no espectro político ou indecisas, que podem ser convencidas por um lado ou pelo outro.

Nem tudo é culpa dos Estados Unidos ou da dívida externa. Nem toda solução é fácil. Nem tudo que o PT fez ou está fazendo é bom. Nem tudo que o PSDB faz ou fez é ruim ou deve ser relativizado. É bom ter, no mínimo, cuidado de embasar muito bem quando falar em fascismo. Não adianta falar em trotskismo. Palavras como "sanha", "fascínora", "império", "PIG", normalmente podem ser substituídas por outras mais simpáticas ao leitor.

E isso está certo: não é impeachment, é golpe. É possível explicar isso para mais gente, se melhorarmos a qualidade da conversa.

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