14 de mar de 2015

Qualquer coisa - O Múcio comentou que meu texto foi uma mixórdia.

Com certeza, se um dia eu vier a ser um empresário, e botasse para funcionar o meu sonhado boteco especial de cerveja e dominó - o "Lasquinê", "Mixórdia" seria o nome da farofa de ovo que, naturalmente, seria marca registrada do "Lasquinê".
Teria também o "Carimbo" - talvez um crepe numa chapa personalizada, que marcasse com um L estilizado a massa. Talvez não, ainda não tenho certeza.
E ainda não pensei no prato que teria o título de "Esbórnia"... mas esse ia ser o carro chefe, com certeza.


Causo - Como sacanear sua prima por anos com cretinices por um fora.

O ano era o inocente 1999, e se não era tão inocente assim, eu o era. O baiano.blig já até existia, mas isso não vem ao caso.
Pity, minha priminha, fazia seu aniversário de nove anos, numa "mini-boate" que tinha na Marquês de Leão, na Barra. Nem adianta que eu não vou lembrar o nome.
A meninada era bem riquinha, com aqueles jeitinhos de "patis" e "mauris" do Módulo (o Módulo Criarte - na época). Formavam-se os grupinhos, meninos para um lado, meninas para o outro, tudo certinho.
A uma certa altura do campeonato, os animadores joselitos contratados fizeram um concurso de dança. Escolheram Priscilla a melhor das mulheres, por motivos políticos, e deram a ela a incumbência de apontar o melhor entre os meninos.
Neste instante, tomando uma cervejinha e olhando o movimento, eu e Ernani, amigo da família desde que me lembro, voltamos nossa atenção para o seríssimo concurso.
Priscilla teria que escolher algum menino, por imposição da situação, e nós iriamos sacanear, porquê dois mais dois é quatro e cada um tem noção de sua missão na vida. Algo natural.
Só que a entrega saiu muito melhor que a encomenda.
Ela declarou sua escolha no microfone - "PEDRO LIMA" e voltamos o olhar para o grupinho dos moleques.
Um loirinho, mais baixo que a média e do que Priscilla, fazia toda a sorte de gestos "sou o bom", peito estufado, batia uma mão no peito, olhava por cima para os outros, se balançava parecendo um calango (ou um rapper, se a referência for mais esclarecedora), batia nos bonés dos colegas como quem diz "quem manda aqui sou eu". Desfilou até onde estava Priscilla, balançando mais que tartaruga de banheiro, puxou ela com força, deu dois beijinhos na bochecha, pegou o troféu e voltou erguendo-o tal qual um Schummacher que acabou de conquistar o decacampeonato.
No outro dia, no almoço na casa de meu tio, já ríamos cretinamente.

- Pedro Lima, hein Piti? Ohohoho....
- Ééé! Pedro Lima, né?
- Ai gente! Cês são doentes, é? Não tem nada a ver...

Teve uma época Capricho que ela era apaixonada por um desses meninos de Malhação. Dizia com ares de seriedade.

- Oh... ele é lindo! Você está falando com a futura senhora Kayky Brito!
- Mais bonito que Pedro Lima, Piti?
- Chatoooo!

Uns anos depois, e muita chateação, ela chegou até a ceder.

- É, eu gostava dele sim...

Fez quinze anos outro dia, há uns três meses, e tava dançando com outro tiradinho, dessa vez com um boné estilo Márcio Vítor. Cheguei abraçando.

- Pedro Lima! Quanto tempo, meu velho!?
- Quem?
- Didoooo! Você é maluco!?

Essa semana eu fui almoçar na casa dela e ela visitava um fotologue, com um loirão malhado sem camisa. Vítor qualquer coisa, o título do fotologue.

- É ou não é um gato?
- Vítor, é?
- É. Meu ficante...
Assumo um tom bem sério:
- PEDRO LIMA sabe disso, Priscilla?
- Pô! Você não vai parar nunca, né?

Eu não. Sou chato até a morte... :)
[]´s

Um comentário:

Adriano Mota disse...

Quando inaugurar o Lasquinê, me convide pra comer uma mixórdia e pra jogar uma partida de dominó.
Abraços, meu velho!