7 de nov de 2014


Tudo, tudo mesmo.
O problema é que estamos no meio de muitas coisas. Um desses pactos internacionais - talvez com um título elegante, como o Acordo de Frankfurt, ou o Tratado de Pequim - deveria estabelecer a meta de que se conclua tudo.
Tudo é tudo, mesmo. Como quando a gente livra a nossa mesa de trabalho de pendências, e se organiza para um novo projeto.
Não sei exatamente o termo pronto, mas seria algo como "Pacto da Antuérpia - Parágrafo Único: Tudo deverá ser concluído até a data limite de 31/01/2008." Assinado pelos chefes de estado de cento e cacetada países, e acabou.
Claro, a Argentina pediria mais tempo, ponderaria mil empecilhos. Nada que não se solucionasse com uma ameaça de embargo.
Daí, em 01/02/2008, a gente começava com mais calma, organizadamente, sem esse panavuê instituído.
Pinto Dois (ou "Mulher na carona também é perigo").

Essa foi do meu tio. Estávamos conversando sobre as mulheres no banco do carona e suas chiadas. Minha mãe, por exemplo, toda vez que sai comigo, eu dirigindo, "salva minha vida" umas quatro vezes. Impressionante como 99,47% das vezes que saio com o carro é sem ela, e estou vivo até hoje.
Numa dessas quase que ela causou um acidente: deu um grito assustador e eu freei no susto. O tempo que eu tinha calculado de cruzar a pista passou, e o carro que vinha em nossa direção teve que frear. De moto.
Mas me embrenho. Foi numa dessas que meu tio vinha com a ex-esposa, grávida de sete meses, para cruzar a contra-mão na Cardeal e entrar na garagem, num ponto um pouco perigoso, logo após uma curva. Olhou, embicou e ela deu um desses gritos desconcertantes - freou. Eu sei bem como é - é um susto como se houvessem visto algo muito importante, e que a gente não percebeu. E aí fazer o quê? Frear...
Vinha um carro correndo pela curva e, para desviar dele, saiu cantando pneu, bateu no meio fio, perdeu as duas rodas e um eixo.

- O que foi, Joyce?
- Um pinto! Você não viu?
- Porra... ver eu vi! Mas não podia frear por causa de um pinto! Podia ter matado o cara, ou a gente!

O pinto sobreviveu. Depois teve que se explicar para o policial da SET.

- Mas porque o senhor freiou bruscamente?
- Um animal cruzou o caminho, senhor.
- Um animal? Que animal?
- ... Um pinto.
- Se for um boi eu não paro.
- Esse é um direito do senhor. Eu paro.

Acabou que o cara ficou no prejuízo, e o pinto vivo. Entre mortos e feridos, salvaram-se todos.

[]´s

Como uma puta.

Expressão idiomática.

Com meu distanciamento temporário do meio acadêmico, já me é perceptível um esfriamento das ligações entre os meus dois neurônios. Tal ocasião tem me impedido de utilizar minhas boas sacadas e meu bom humor rápido e inteligente habituais. Agora, como exemplo, mesmo escrevendo, que se tem mais tempo para pensar do que falando, não pensei em nada mais original para apelidar meus neurônios do que Tico e Teco ou Bruno e Marrone. Débi e Lóide, talvez... Mas teria demorado demais se fosse para encaixar na conversa.
Enfim. O mesmo ocorre quando vou tentar fazer analogias. Tenho me utilizado do curinga idiomático que é o "como uma puta". Sempre que é algo sujo, sexual ou pejorativo, ele cabe.

- E Fulano?
- Apanhou como uma puta.
- De tirar sangue?
- Sangrou que nem uma puta.
- Ê! Que é isso! Porque as coitadas das putas apanham e sangram desse jeito! Que sofrimento! Coisa feia!
- ...
- Ainda tá no hospital?
- Tá não. Já voltou ao trabalho. Aquilo é ruim que só uma puta.

---

- Quer dizer que cê já pegou Fulana?
- Fode bem como uma puta!
- É mermo, rapá? E largou porquê?
- Chia feito uma puta! Fica ligando que nem uma puta, depois.
- Porra...
- É...
- Mas uma putinha gostosa.
- Gostosa que nem uma puta...

[]´s
(Esses diálogos nunca existiram. De verdade. Uso a expressão, mas não cafajeste como uma puta, para dizer coisas como no segundo diálogo.)

Os meninos

O texto é da minha mãe. Mandou por e-mail com o título acima, e a recomendação "para o seu blog". Segue, então, que mãe é mãe e a gente que não obedeça...

"Tenho feito algumas coisas interessantes, outras chatíssimas, e hoje eu me dei folga. Comecei o dia numa chamada que a escola de Davi me deu. Vexame. Sentada na sala da diretoria, Davi ao meu lado, a diretora mandando retirar das salas onde estavam dando aulas cada um dos professores do meu filho para me dizerem pessoalmente: disperso, dorme durante a aula, conversa, brinca, chega atrasado, não faz a tarefa, amarra as mochilas dos colegas umas nas outras e... tirou "2" (!!!) em matemática no primeiro bimestre.
Saí de lá meio zonza e fui direto procurar uma professora particular para o reforço porque matemática também é o meu ponto fraco. Em casa dei orientações categóricas à empregada sobre o horário de Davi dormir e de acordar quando eu não estiver presente. E quando ele chegou eu o levei para o quarto para um papo sério, tipo: o que é que tá dando em você? nunca tinha recebido queixas de você! você viu que situação? que mico! Ao que ele respondeu tranquilo:
- Que situação, mãe? Você não imagina o que os outros pais passam!
- Aquela mulher é muito exagerada, mãe.
- Tive o maior azar que a professora de geografia não tava lá... era a única que ia me defender... mas o professor de história foi mais ou menos, né, mãe?
- Mãe, por favor, mãe, pelo amor de Deus, faz uma carta prá diretora me liberando das aulas de religião, mãe! Eu não aguento mais aula de religião...
Deixou escorrer lágrimas silenciosas quando eu determinei que ele iria acordar 10m mais cedo e comemorou quando eu avisei que vai ter aulas particulares de matemática com a moça que mora aqui no andar de baixo.
- Ela é uma gata!
Incrível como uma pessoa muda automaticamente ao fazer 13 anos. Na mesma semana a gente tem que se sintonizar.
Telefonei para Diógenes e contei tudo. Ele enfeza quando Davi sai da linha. Apenas quinze anos de diferença e ele esqueceu quem era nessa idade. Mas quando falei das aulas de matemática...:
- É com essa moça aí de baixo, mãe? Me dê aí os horários que eu vou comparecer também!
Eu relaxei. Esses meninos não têm jeito, e eles se viram. Instintivamente me dei folga e aproveitei para "folhear" o blog de Diógenes, que quase nunca visito. Adorei. Fiz uma seleção para guardar e para orientar as próximas visitas. Eu lia salteado mas agora vou virar blogueira. Diógenes é, Davi diz que é, então é bom."

A parte que não se aproveita

É claro que não se publica no orkut as fotos disso, mas a gente tem que reconhecer a existência disso.
Eu faço coisas das quais me arrependo, além de me arrepender de coisas que eu não fiz. Eu fico triste, às vezes. Às vezes acho as coisas difíceis. Algumas besteiras, volta e meia, me parecem obstáculos quase intransponíveis.
Tenho momentos que eu não quero as festas, e tenho vergonha de alguns aspectos de quem eu sou. Tem momentos que eu não quero ver nada nem ninguém, e sequer quero as janelas abertas. Quando isso acontece em fins de semana, ou em finais de tarde, freqüentemente levo a cabo tais (não) quereres.
Será que quem vai sempre nesse ânimo, sempre em frente, sem arrependimentos, sem tempo para o outro lado, sabe direito para onde está indo? Dá tempo para traçar, analisar, corrigir algum rumo?