6 de jun de 2014

Luzes

Cada uma dessas janelas acesas, a esta hora da madrugada, limita alguma razão marginal. O motivo dos que estão fora da hora, dos que estão sozinhos. O entendimento maturado, de quem não apenas engole idéias, mas as deixa no fruteiro madrugadas a fio, e experimenta-as a cada tom.
Mistérios, tal qual a luz de minha janela ao chegar lá. E será que eles também devaneiam?
São olhos abertos, acesos, inquietos no seu mergulho madrugada adentro. Olhos impacientes. Tantos vermelhos, alguns molhados.
Todos jogados pela cidade, como estrelas aceleradas pelo Big-Bang. São objetos passivos dessa inércia em estúpidas velocidades, até que, em choque com outros olhos, supernovas.
E seus destroços vão acender muitas janelas, sua luz se fracionar por muitas lágrimas, se chocar com meteoros, entender melhor os olhos, por essa cidade excessiva, lançadas, a partir do canto da janela, apenas as luzes aos olhos.
Mas a esta hora da madrugada não há perigo - apenas conseqüências.

[]´s

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