14 de jun de 2014

Condicionamento animal.


Meu prédio é de escada e no meu trabalho tem ascensoristas. Daí que hoje em dia, toda vez que chego no destino em um elevador qualquer, me vem a compulsão de dizer "Obrigado!".
E eu me sinto um pinscher adestrado....


[]´s

Um momento na minha história...

Poucas vezes fui um estudante de primeira linha. Nunca estudava. Mas no segundo e terceiro ano, sob a pressão do "você tem que passar no vestibular", mudei um pouco.
Eu me sentia reconhecido, na sala, como provavelmente o terceiro mais bem-sucedido nas notas, na média geral. Tinha o Campbell, o Xampú, e tinha eu. Algumas das minhas notas, como redação e história, por exemplo, eram maiores até do que as do Xampú - mas na média ele ficava à frente porque em exatas ele mais que tirava a diferença, apesar de eu ter ótimas notas.
Era bom, porque não tinha perseguição com quem tirava notas altas - a turma toda era gente boa, bom relacionamento, cervejas e pagodes juntos, bons tempos.
Daiana era também uma aluna com desempenho de primeira, ali por perto da minha performance.
E um momento que eu me lembro, meio que de realização, foi uma vez no intervalo que Daiana perguntava sobre um problema de vetores para Campbell e eu, por perto, ao ver que ele não sabia responder, fui ao quadro e expliquei para os dois como era o funcionamento daquele sistema.
Sei que é bobagem, mas me lembro disso até hoje.
O assunto, na verdade, não veio por ele mesmo. Estou com várias cervejas na cabeça, e estava lembrando disso agora, ali, por conta de uma discussão de bar sobre inteligência, mérito, ascensão profissional e realização. Campbell hoje é rico - e não é pouco, não. Eu me defendo, aqui em Salvador, muito longe de ser rico (por muito leia-se um tanto mesmo). Daiana está no interior - sei pelo orkut - teve filho cedo, e não aparenta estar com o mesmo saldo de FGTS que eu...
Aí que nessa eu tava analisando que deu a lógica, profissionalmente. Mas no fundo, no fundo, o quanto isso importa?
Quer dizer: talvez Daiana seja muito mais feliz que eu e Campbell, talvez não, talvez as metas, os valores de cada um tenham sido diferentes.
A gente vai passando pela vida e vendo que, às vezes, desistir é uma coisa realmente boa. Porque nem todas as idéias, nem todos os planos, nem todas as minhocas que a gente planta na cabeça num determinado momento são bons. Ou, se são, às vezes são bons para um momento, e não para a vida inteira.
Eu tenho umas maluquices um tanto velhas, que eu acho que tô resistindo demais em desistir. E isso só me prejudica.
E tenho outras com as quais, com muito orgulho, vou até o fim.

[]´s

Bobagenzinha...

Diógenes Pacheco
Vens para o aniversário de teu irmão? 15:27

Lu
Vous 15:28

Diógenes Pacheco
Vius 15:28

Pipoca.

Hoje cheguei em casa e, assim de surpresa, tive que telefonar para Rina e Carla (minhas nobres "salva-vidas" em assuntos médicos) , conseguir um médico em hospital público, e sair correndo de novo com Valdirene (a "babá") e Davi - o moleque.
Quase botaram fogo na casa com uma panela de óleo para fazer pipoca esquecida no fogão, enquanto assistiam TV. Davi abanou a fumaça sobre a panela, o que precipitou o incêndio, e Val tacou água no óleo para apagar. O teto está preto, a boca do fogão mais ainda.
Por sorte ninguém se queimou, mas pouco depois Val começou a sentir muita dor nas costas. Suspeitamos de intoxicação pela fumaça. No final das contas, o médico verificou e foi só tensão muscular por conta do susto. Tomou um Voltarém.
As vezes parece que as coisas desandam quando eu não estou por perto... E até outro dia eu era só um moleque - eu mesmo já botei fogo na minha própria mão, com álcool. Agora sou eu aqui cobrando que Davi estude na recuperação de matemática - aconteceu comigo, também, mas não na sexta série - e tirando as dúvidas dos exercícios, e tal. E decidindo quais brigas comprar e quais não.
Os papéis vão mudando e a gente se acomoda sem nem ver.

Lista das 4 coisas.


Lista das quatro coisas, recebida de Rina.

Quatro empregos que já tive:

- Técnico em Micro-Informática (montagem e manutenção de computadores);
- Auxiliar de programação (bancos de dados em Clipper);
- Estagário da compensação do Banco do Brasil;
- Funcionário da Caixa.

Quatro filmes que assisto sempre que passam:

- K-9
- O Resgate do Soldado Ryan
- De Volta Para o Futuro (qualquer um deles)
- O Pai da Noiva

Quatro programas que gosto na Tv:

- Programa do Jô
- Simpsons
- Friends
- Jogos do Flamengo

Quatro pessoas que me mandam e-mail regularmente:

- Sabrina Sato
- Juliana Paes
- Grazi Massafera
- Ana Paula Arósio
(Todas procurando conversa, mas eu não dou bola...)

Quatro coisas que não sei, mas deveria:

- Dizer não
- Disfarçar bem
- Ganhar dinheiro
- Paquerar

Quatro coisas que faço diariamente:

- Tomar banho
- Usar cotonetes
- Dirigir
- Exercitar a paciência

Comidas que gosto:

- Farofa de ovo
- Pizza
- Quase qualquer coisa feita de amendoim
- Canjica

Quatro objetivos a curto prazo:

- Me formar
- Começar a ganhar uma quantidade melhor de dinheiro
- Colocar Davi numa escola melhor
- Fazer mestrado

Passo essa lista para Dito, Carol, Ane e Léo. (E quem mais se sentir à vontade.)

[]´s

Todo Mundo é Comediante

Aniversário do Fusca, comemorado pelo Clube do Fusca da Bahia e pelo clube de antigomobilismo. Lá ia eu chegando no tal encontro de fuscas, no estacionamento do parque da cidade, com meu besourinho verde. Na chegada, passava por um estacionamento comum, onde haviam Palios, Gols, Kas e Celtas, e vendo à frente os belos Fusquinhas e companhia, com plaquinhas pretas e tais. Uns cones dividindo a parte do estacionamento onde estavam os fuscas da parte onde estavam os demais carros.
Não sabia direito como a coisa funcionava, e ao chegar tinha um funcionário do evento junto aos cones, que foi chegando junto ao carro.

- Como é aí, amigo? Todo fusca entra ou tem alguma distinção!
E ele me responde, já retirando os cones.
- Não! O pessoal disse que estava vindo aí um fusca verde. Deve ser você!

Não dá mais para confiar em ninguém. Todo mundo é comediante, hoje em dia.

6 de jun de 2014

Texto da mãe.

Davi, Luca, chuva e tal.
(Texto de minha mãe, que não em blogue, e fica enviando e-mails para todos da lista.)

Levantam, um dengoso e um bicudo. Se arrastam pela casa de manhã, com preguiça de comer, de vestir, de escovar os dentes. Assistem desenho na TV bem enroscadinhos um no outro deitados no sofá. Umas nove horas começam a entrar as vozes dos amigos pela janela. Eles então começam a despertar de verdade. Se agitam e daqui a pouco estão avisando que vão descer. Escovaram os dentes? Não. Vão escovar. Pelas janelas eu ouço as conversas. Todos papos dignos de nota. A minha memória não retém nada, tudo se perde, mas fica o sentimento de que eles são demais!

Hoje bateu um vento forte de repente. Fui à janela ver onde estavam porque ia chover. Não os vi em lugar nenhum. Adultos e crianças corriam para seus prédios e nada dos meus meninos. Aí comecei a adorar a ventania. Abri mais a janela, estiquei o corpo para a frente e continuei olhando em todas as direções. A chuva ia ser forte e eles estão gripados.

Lá estavam eles! Subiram no muro da frente do condomínio, seguraram as mãozinhas na grade que tem sobre o muro e, com o corpo encurvado pela força do vento, gritam como se estivessem voando... Consigo chamar a atenção deles e ordeno aos gritos que venham porque vai chover. Não está chovendo! - Davi grita de lá. Foi só ele falar a chuva começou e em um instante estava forte. Vieram correndo, empurrados pelo vento forte, se molhando, com os braços abertos, Davi gritando:

- O furacão dos Estados Unidos chegou no Brasil!!

E Luca logo atrás:

- O furacão dos Estados Unidos chegou no Brasil!
!
[]´s
(Ôs figurinhas! :)
Luzes

Cada uma dessas janelas acesas, a esta hora da madrugada, limita alguma razão marginal. O motivo dos que estão fora da hora, dos que estão sozinhos. O entendimento maturado, de quem não apenas engole idéias, mas as deixa no fruteiro madrugadas a fio, e experimenta-as a cada tom.
Mistérios, tal qual a luz de minha janela ao chegar lá. E será que eles também devaneiam?
São olhos abertos, acesos, inquietos no seu mergulho madrugada adentro. Olhos impacientes. Tantos vermelhos, alguns molhados.
Todos jogados pela cidade, como estrelas aceleradas pelo Big-Bang. São objetos passivos dessa inércia em estúpidas velocidades, até que, em choque com outros olhos, supernovas.
E seus destroços vão acender muitas janelas, sua luz se fracionar por muitas lágrimas, se chocar com meteoros, entender melhor os olhos, por essa cidade excessiva, lançadas, a partir do canto da janela, apenas as luzes aos olhos.
Mas a esta hora da madrugada não há perigo - apenas conseqüências.

[]´s
O texto abaixo - Visita de Despedida - foi em 28/11.

Ontem, às cinco e pouco da manhã, já abastecíamos o carro. Naquele posto Petrobrás que fica na saída da Bonocô para a BR.
Foram dois carros. Dois tios, um primo e minha avó no Ecosport de um destes. Eu e minha patota no meu Paliozinho.
Meu avô já estava lá.
Trezentos e cinqüenta quilômetros. Boa parte deles, de estrada destruída. De Capim Grosso até Serrolândia está melhor ir pela estrada de terra que margeia a estrada de asfalto, de tão esburacada que a "oficial" está. O carrinho sofreu horrores.
Visitamos vovó Avertina - minha bisavó por parte de mãe e avô.
Uma daquelas visitas "de despedida".
Vovó está a quatro anos de cama. Não enxerga. Entende, mas não consegue falar direito. Difícil a situação. Aí a gente vai, pega na mão dela, e fala:
"É Didio, vó! De Lessinha! Vim ver a senhora! Sua benção!"
E meu avô emendava contando as novidades, naquela perspectiva boa.
"Lembra de Dido, mãe? Tá um homão! Tá fazendo faculdade, e trabalha no banco já. Tem a casinha dele lá em Salvador..."
Apresentou Luca, meu sobrinho:
"É Luca! É seu tataraneto, mãinha! Filho de Luciana, de Lessinha..."
E Luquinha tocava nela meio sem jeito.
Minha mãe, minha avó, meu avô, passavam mais tempo ao seu lado, contando sobre outras pessoas, familiares, amigos de antigamente.
Nós tomamos uma cerveja no bar ali do lado, com os primos distantes de "Serrote", almoçamos, dormimos, acordamos, despedimos de minha bisavó, e pegamos a estrada de volta para Salvador. Saímos umas três e meia. Ainda demos um pulinho na fazenda de Tia Zó, mas sem tempo nem para aceitar o cafezinho. Agora, além dos nossos, o Focus do meu avô.
Chuva torrencial e noite na estrada. Risadas em família, buracos quase estourando pneus, bobagens, menino chorando, conversas soltas, apreensão pela situação, paradas em postos de gasolina para comer salgadinhos suspeitos.
Dez horas da noite, chegamos. Quebrados, depois de rodar mais de setecentos quilômetros de estrada ruim em um dia.
Consternados por "Dona Avertina". Contentes pelo gesto.
E, com o que não se pode lutar, a conformação.


---

Nova visita.

Domingo agora ela se foi. A poucos dias entregou os pontos: no mal falado, baixo, rouco, os que estavam acostumados entenderam "eu quero morrer", "o que é que eu estou fazendo aqui?".
E se recusava a comer, comia pouco.
Vovó não sentia dor física. Estava, sim, presa demais pela sua condição. E, nem tinha pensado nisso antes, por manter-se consciente devia sofrer demais em saber da iminência da morte, e passar o dia sem poder distraír-se com a vida.
Dessa vez muito mais gente estava lá. Filhos, netos, bisnetos, tataranetos. E o que se viu foi paz e compreensão, no lugar da revolta. A tristeza, natural, acompanhada do sentimento de que era o melhor para ela.
E somou-se a isso o grande encontro da família, que a tanto não ocorria, e as notícias das vidas de todos, promessas de visitas... Quem sabe, algumas venham a se confirmar.
E a lembrança que me marca da minha bisavó era das vezes em que eu, menino, fui em Serrolândia. Ela, que já era bem velhinha, usava uns óculos grandes e grossos que a deixavam, para quem via, com olhos tão ampliados que ultrapassavam os limites do rosto. Para mim, parecia um personagem de contos de fadas. Por sua prestatividade, ela estava sempre indo buscar um café, um biscoito, bombom, e voltando em nossa direção. E a cena engraçada eram os olhos crescendo exponencialmente a cada passo...

[]´s