27 de mai de 2014

Frio em Conquista.


Sete e meia da noite todo mundo dorme. Às onze trago uma água, através do velho corredor. As portas e janelas do quarto fechadas. O corpo enrolado com dois cobertores, exceto a mão esquerda, que mantém sob a luminária um livro velho. Com aquele cheiro bom de livro velho. Guardado na estante há trinta anos.

Os móveis, as paredes, as cortinas e as pinturas, meu avô e minha avó. Toda a casa parece ter sido guardada na estante há trinta anos. É o único lugar no mundo que continua o mesmo para mim, desde sempre. É a casa onde viveu meu pai.

Mas ainda esse ano vão comprar, demolir e começar a erguer um prédio comercial.

E depois disso, possivelmente, nunca mais pego o ônibus para Conquista...

7 comentários:

maria. disse...

lágrimas no chão.
flores nas mãos...

filho disse...

que coisa... coisa da vida...
abçs.

Ni disse...

Tive lá um dia desses e lembrei de vc..:)

Menina do Reggae® disse...

faz alguma coisa, não deixa eles demolirem.

pode ser a casa que teus filhos vão crescer!

Au Revoir

d1T0 disse...

essas casas que moram pra sempre na gente. elas é que moram.

Raiça Bomfim disse...

Quando volto pra Conquista, pra a casa de minha avó- seus móveis, suas paredes, suas cortinas, suas pinturas- parece-me que eu sempre estive ali, olhando pra aqueles mesmo velhos livros na velha estante, desde sempre.

Raiça Bomfim disse...

mas na direção do progresso, a memória é barberagem. aiai.