27 de fev de 2011

Aquela sexta-feira! (Ou "O dia em que eu conheci a Renatinha!")

Enche o tanque!
Naquela sexta-feira minha namorada havia viajado. Meus amigos - colegas de trabalho mais velhos que eu - só toparam sair para o que eles mesmos chamam de "bar das velhas". É um bar dançante chamado Calypso na Asa-Norte, algo parecido com o velho Casquinha de Siri de Salvador.
A idéia é que as mulheres que estão lá, de uma faixa de idade realmente mais avançada do que a minha - e do que a deles, até - tem uma atitude mais pró-ativa em relação ao processo de aproximação. Não se fazem de tão exigentes, não querem perder mais tempo do que já perderam com bobagens na juventude, não estão procurando nada tão especial. Querem se divertir e pronto, acabou. Em um certo aspecto, as mulheres depois de certa idade tornam-se homens, se é que vocês entendem meu ponto de vista.
De qualquer forma, enchíamos a cara despreocupadamente, como de costume. Na primeira hora, Miro já tinha cruzado olhares com uma coroa recauchutada, com plástica no rosto, silicone na comissão de frente. As pernas pareciam originais de fábrica, e ainda davam uma boa caminhada. João não tinha feito contato, mas estava tranqüilo. Eu ainda não tinha bebido o suficiente para baixar o controle de qualidade.
Dentro de mais algum tempo, os dois dançavam animadamente com duas coroas, e eu estava sozinho no bar.

- Perdido por aqui?

Me virei esperando encontrar alguma coroa mais assanhada, e avaliar a proposta, mas, puta-que-pariu, que surpresa! A menina era linda e devia ter uns vinte e cinco anos. E com um olhar sacana. Pensei rapidamente que isso não podia ser verdade, que essas coisas não aconteciam comigo, que quando aconteciam eu estava acompanhado (já aconteceram mas eu sempre estava acompanhado!), que os caras iam ficar de queixo caído, que eu não podia estragar tudo, e de tanto pensar já estava demorando de responder...

- Acho que estou um pouco perdido, sim... Mas... Mas você também não parece muito com este lugar!
- Gosto daqui.
- Está sozinha?
- Vim com umas colegas de trabalho, mas elas já estão na pista de dança. Eu tava lá, também, mas resolvi parar um pouco.
- Aceita um drinque?
- Pode ser uma cerveja!
- Uma cerveja, por favor!

Cerveja! Quantos pontos uma mulher ganha quando pede uma cerveja?! Se pede Bloody-Mary, sex on the beach, vinho, champanhe, coca-cola, tá valendo, mas se pede uma cerveja... Sei lá. Sinto que desceu um degrau e se nivelou a mim. Que talvez possamos ir para o carnaval e encher a cara de cerveja, ir para as festas e curtir tomando todas, que não precisa de frescura, que um dia vamos discutir sobre a comparação do sabor da Antárctica com a Skol, Heineken, Brahma, Nova Schin... Hein? Que prazer inexplicável! "Essa Itaipava também não é ruim, não"!
Nada melhor que uma mulher que bebe cerveja!

- Voando alto?
- Viajei um pouco, aqui, mesmo...
- Hum...
- Você vem sempre aqui?
- Gosto daqui?
- Por quê?
- Sei lá. Sei que sou meio estranha no ninho, mas acho mais legal assim. Quando vou pros bares com a turma da nossa idade fica sempre aquele negócio - parece que tá todo mundo querendo alguma coisa, todo mundo mostrando o que não é, fazendo pose. Aqui as coisas são mais sinceras!
- Mas as opções devem ser mais limitadas...
- Às vezes pinga alguma coisa melhorzinha!

Coisa melhorzinha! Tá no papo! Nunca ser chamado de "coisa melhorzinha" me soou tão bem!

- É. Não vou negar que há surpresas boas, mesmo!

Sorrimos.

- Vamos dançar?

Fomos.
Mais tarde nos beijamos. Só depois lembramos de perguntar os nomes...

- Qual é o seu nome, mesmo?
- Renata! E o seu?
- Diógenes.
- Como?

A música estava alta, nós estávamos bêbados, minha mãe não sabe em que confusão ela me colocou com esse nome...

- Pode me chamar de Dido!
- Renatinha, então, Dido!
- Prazer!
- Você ainda nem imagina!

Uauuuuu!

3 comentários:

Ni disse...

Você não muda mesmo...rs

Joyce disse...

E pelo visto nunca vai mudar... :)
O texto está muito bom! Parabéns!

Leila Hupsel disse...

Nêgo, melhor deixar claro que não é real... tá ficando feio para mim...
Beijos!