6 de jan de 2010

Pequena teoria sobre conversas

Eu tenho percebido que existem três tipos básicos de conversa - aí englobando o diálogo e o discurso - que podem ser percebidos e tratados diferentemente.
O primeiro, mais simples, é a conversa franca - onde as pessoas expõem argumentos nos quais realmente acreditam, sendo que ao final, é possível construir, concordar, ou não.
O segundo, que pode ser consciente ou não, é a conversa de ataque e defesa. Nessa, o indivíduo não se preocupa com o objetivo nem com a possível construção proporcionada pelas idéias em argumentação. A conversa, para este indivíduo, transforma-se num jogo onde alguém tem que perder, e tudo o que ele diz é no sentido de se defender (mostrar que é inocente, suas qualidades, seus bons feitos, não necessariamente de forma conectada ao assunto da conversa) e atacar seu interlocutor ou seja lá quem defenda algo diverso (mostrar que este é mau, seus defeitos, seus erros, não necessariamente de forma conectada ao assunto da conversa).
É este tipo de conversa que freqüentemente se torna um jogo de paciência, uma briga agressiva, ou até uma rivalidade, pois ela tende a se desconectar do seu objetivo, que muitas vezes é algo simples, e a se tornar uma competição para demonstrar quem é bom e quem é ruim. Muitas vezes as pessoas entram nesse tipo de conversa de forma instintiva, embora haja quem o faça de propósito. Existem pessoas com maior ou menor tendência a este comportamento.
Um terceiro tipo de conversa é a conversa inescrupulosa. Esta é muito comum em políticos, e mescla elementos da segunda conversa - o ataque e a defesa - com a total falta de importância dada à realidade. Essa não busca o ataque e a defesa necessariamente em fatos, ainda que desconectados do objetivo principal, mas simplesmente em argumentos percebidos como convincentes. É pensada de forma estratégica e busca deliberadamente suportar uma idéia, a qualquer custo.

Eu só gosto do primeiro tipo.

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