21/05/2009

Mais uma dessas noites acordado...


E eu cheio de coisas para resolver pela manhã. Agora durmo até onze e pouco da manhã, e só dá tempo de acordar com pressa para o trabalho.

Mas eu estava aqui pensando que se porventura chover aos cântaros, como tem sido tão comum nos últimos dias, e o céu bem que está armado para tanto, ao menos não fico ressentido por não ter feito. Afinal, debaixo de tororó não ia ter jeito, mesmo.

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Um detalhe interessante das seleções internas da empresa é um requisito que de uns tempos para cá tem aparecido. Dentre aqueles tantos, batidos: dinâmico, comunicativo, empreendedor, etc., agora vem o "auto-motivável".
Ou seja: ainda que a empresa não te pague bem, que você não veja resultado no seu trabalho, que seja tratado mal pelo gerente, que tenha um trabalho chato, hoje em dia você pode ser simplesmente "auto-motivável" e, às favas com tudo isso, botar um sorriso no rosto e dar conta do recado. Eu achei ótima. A um bom funcionário, desses que se quer selecionar hoje em dia, convém ser um moto-perpétuo.


[]´s

06/05/2009

Os meninos

O texto é da minha mãe. Mandou por e-mail com o título acima, e a recomendação "para o seu blog". Segue, então, que mãe é mãe e a gente que não obedeça...

"Tenho feito algumas coisas interessantes, outras chatíssimas, e hoje eu me dei folga. Comecei o dia numa chamada que a escola de Davi me deu. Vexame. Sentada na sala da diretoria, Davi ao meu lado, a diretora mandando retirar das salas onde estavam dando aulas cada um dos professores do meu filho para me dizerem pessoalmente: disperso, dorme durante a aula, conversa, brinca, chega atrasado, não faz a tarefa, amarra as mochilas dos colegas umas nas outras e... tirou "2" (!!!) em matemática no primeiro bimestre.

Saí de lá meio zonza e fui direto procurar uma professora particular para o reforço porque matemática também é o meu ponto fraco. Em casa dei orientações categóricas à empregada sobre o horário de Davi dormir e de acordar quando eu não estiver presente. E quando ele chegou eu o levei para o quarto para um papo sério, tipo: o que é que tá dando em você? nunca tinha recebido queixas de você! você viu que situação? que mico! Ao que ele respondeu tranquilo:

- Que situação, mãe? Você não imagina o que os outros pais passam!

- Aquela mulher é muito exagerada, mãe.

- Tive o maior azar que a professora de geografia não tava lá... era a única que ia me defender... mas o professor de história foi mais ou menos, né, mãe?

- Mãe, por favor, mãe, pelo amor de Deus, faz uma carta prá diretora me liberando das aulas de religião, mãe! Eu não aguento mais aula de religião...

Deixou escorrer lágrimas silenciosas quando eu determinei que ele iria acordar 10m mais cedo e comemorou quando eu avisei que vai ter aulas particulares de matemática com a moça que mora aqui no andar de baixo.

- Ela é uma gata!

Incrível como uma pessoa muda automaticamente ao fazer 13 anos. Na mesma semana a gente tem que se sintonizar.

Telefonei para Diógenes e contei tudo. Ele enfeza quando Davi sai da linha. Apenas quinze anos de diferença e ele esqueceu quem era nessa idade. Mas quando falei das aulas de matemática...:

- É com essa moça aí de baixo, mãe? Me dê aí os horários que eu vou comparecer também!

Eu relaxei. Esses meninos não têm jeito, e eles se viram. Instintivamente me dei folga e aproveitei para "folhear" o blog de Diógenes, que quase nunca visito. Adorei. Fiz uma seleção para guardar e para orientar as próximas visitas. Eu lia salteado mas agora vou virar blogueira. Diógenes é, Davi diz que é, então é bom."

01/05/2009

Davi tem um encontro.

Davi fez aniversário esses dias - treze anos - e ganhou alguns bons presentes em dinheiro - bons de uma forma que na minha época de menino nem se sonhava em ganhar...
Hoje minha mãe, após me ajudar com o Fusca, se queixou que ainda teria que levar Davi no shopping para comprar umas roupas, que ele teria um encontro no sábado (depois de muito tempo na seca) e queria comprá-las para ir bem apresentado. Me ofereci.
Levei ele e busquei Tiago, também - nosso primo da idade de Davi, "parceirão" dele, que ele havia convidado para ajudar a escolher as roupas.
Larguei-os fazendo as compras e fui comprar uns remédios que minha velha pediu. Quando os reencontrei, já estavam com algumas sacolas (SeaWay) e queriam ir na Mahalo para comprar um "capote" - casaco.
Fomos. Ao chegar lá, Davi escolheu um casaco pesadíssimo, do tipo que não faz nenhum sentido em Salvador, mas que tem um jeitão meio "rapper" ou "hip-hop" (vai saber) norte americano e que é (sic) moda. Por R$ 125,00 (!). Comprou sob meus protestos - o dinheiro é dele, não era o caso de fazer mais que opinar. Depois fiquei sabendo que a compra totalizou R$ 275,00 (!!), praticamente tudo o que ele ganhou no aniversário, sendo que tinha sido esse "capote", um boné de R$ 50,00 (!!!), e uma bermuda e uma camiseta que somadas davam R$ 100,00 (!!!!). Tudo de marca chique, com a marca bem estampada...
Voltei para casa discutindo, tentando explicar para ele que ele estava se comportando de forma fútil, que esse negócio de ficar comprando roupa de marca é bobagem, que se preocupar tanto com isso é um comportamento superficial.
Eles (ele e Tiago, enquanto ainda estava no carro) contra argumentaram que isso impressiona as meninas, e que a importância era que isso vai "render mulher".
Contra isso meu primeiro argumento foi que eu, mesmo, nunca precisei dessas coisas para me virar. Exemplifiquei que temos primos da minha idade que se vestem desse jeito "na moda", e outros não, e que todos tem (belas) namoradas, indistintamente em relação ao vestir. Ainda argumentei que em nossa idade fala-se muito do carro, mas variamos (primos) do Fusca ao Stillo, e isso também não define nada.
Tentei incutir nas cabecinhas dos dois que as meninas não vão gostar deles por eles serem super bem vestidos, mas por eles serem legais com elas, saberem bater um bom papo, serem divertidos, cavalheiros, atenciosos, etc... Claro que devem parecer bem cuidados, razoavelmente bem vestidos, mas não a ponto de gastar dinheiro (e muito) com isso. As roupas que minha mãe dá a Davi, sem ele precisar tirar um tostão do bolso, já são bem legais, e ele teria coisas muito mais interessantes para fazer com a grana dele.
Eis que, a essa altura, me surgiu uma pequena desconfiança.

- Moleque... E sobrou dinheiro para você sair com a menina, sábado?
- Sobrou, velho! Minha mãe me deve quinze conto, ainda...
- Ué. Mas quinze reais é pouco!
- Não. Mas eu ainda tenho um pouquinho aqui... Com trinta reais dá para sair tranqüilo!
- Trinta? Venha cá: você não vai pagar o cinema da menina, não?
- Oxe! Eu? Pra que?
- Para ser gentil com ela, ora bolas! Ser cavalheiro!
- Ih, rapaz! Já vi que você não vive no século vinte e um, não!
- Eu sou meio antiquado, mesmo. Mas quem tá mostrando que não entende nada de mulher é você...

Meninos. Tomara que cresçam. :)