
Davi fez aniversário esses dias - treze anos - e ganhou alguns bons presentes em dinheiro - bons de uma forma que na minha época de menino nem se sonhava em ganhar...
Hoje minha mãe, após me ajudar com o Fusca, se queixou que ainda teria que levar Davi no shopping para comprar umas roupas, que ele teria um encontro no sábado (depois de muito tempo na seca) e queria comprá-las para ir bem apresentado. Me ofereci.
Levei ele e busquei Tiago, também - nosso primo da idade de Davi, "parceirão" dele, que ele havia convidado para ajudar a escolher as roupas.
Larguei-os fazendo as compras e fui comprar uns remédios que minha velha pediu. Quando os reencontrei, já estavam com algumas sacolas (SeaWay) e queriam ir na Mahalo para comprar um "capote" - casaco.
Fomos. Ao chegar lá, Davi escolheu um casaco pesadíssimo, do tipo que não faz nenhum sentido em Salvador, mas que tem um jeitão meio "rapper" ou "hip-hop" (vai saber) norte americano e que é (sic) moda. Por R$ 125,00 (!). Comprou sob meus protestos - o dinheiro é dele, não era o caso de fazer mais que opinar. Depois fiquei sabendo que a compra totalizou R$ 275,00 (!!), praticamente tudo o que ele ganhou no aniversário, sendo que tinha sido esse "capote", um boné de R$ 50,00 (!!!), e uma bermuda e uma camiseta que somadas davam R$ 100,00 (!!!!). Tudo de marca chique, com a marca bem estampada...
Voltei para casa discutindo, tentando explicar para ele que ele estava se comportando de forma fútil, que esse negócio de ficar comprando roupa de marca é bobagem, que se preocupar tanto com isso é um comportamento superficial.
Eles (ele e Tiago, enquanto ainda estava no carro) contra argumentaram que isso impressiona as meninas, e que a importância era que isso vai "render mulher".
Contra isso meu primeiro argumento foi que eu, mesmo, nunca precisei dessas coisas para me virar. Exemplifiquei que temos primos da minha idade que se vestem desse jeito "na moda", e outros não, e que todos tem (belas) namoradas, indistintamente em relação ao vestir. Ainda argumentei que em nossa idade fala-se muito do carro, mas variamos (primos) do Fusca ao Stillo, e isso também não define nada.
Tentei incutir nas cabecinhas dos dois que as meninas não vão gostar deles por eles serem super bem vestidos, mas por eles serem legais com elas, saberem bater um bom papo, serem divertidos, cavalheiros, atenciosos, etc... Claro que devem parecer bem cuidados, razoavelmente bem vestidos, mas não a ponto de gastar dinheiro (e muito) com isso. As roupas que minha mãe dá a Davi, sem ele precisar tirar um tostão do bolso, já são bem legais, e ele teria coisas muito mais interessantes para fazer com a grana dele.
Eis que, a essa altura, me surgiu uma pequena desconfiança.
- Moleque... E sobrou dinheiro para você sair com a menina, sábado?
- Sobrou, velho! Minha mãe me deve quinze conto, ainda...
- Ué. Mas quinze reais é pouco!
- Não. Mas eu ainda tenho um pouquinho aqui... Com trinta reais dá para sair tranqüilo!
- Trinta? Venha cá: você não vai pagar o cinema da menina, não?
- Oxe! Eu? Pra que?
- Para ser gentil com ela, ora bolas! Ser cavalheiro!
- Ih, rapaz! Já vi que você não vive no século vinte e um, não!
- Eu sou meio antiquado, mesmo. Mas quem tá mostrando que não entende nada de mulher é você...
Meninos. Tomara que cresçam. :)