Conseqüência destes tempos de agências de notícias on-line. Esses dias temos tido que acompanhar, ainda que não cliquemos nos atalhos para ler a notícia completa, as chamadas de reportagem mais macabras da história.
"Dois braços de inglesa encontrados no Rio."
"Cabeça de inglesa encontrada no Rio de Janeiro."
"Uma perna da inglesa foi encontrada num bueiro, no Rio."
Misericórdia...
05/08/2008
03/08/2008
Vigília

Não sei se mencionei, mas estou morando há quase um ano ao lado de uma igreja católica. Hoje à noite tem vigília. Cantam hinos há horas, sem parar, com solos, momentos graves, luzes acesas. Um pobre cachorro que vagueia por aqui, às noites, está ali no meio da pista, sentado, olhando sem entender nada. O segurança não ligou o tradicional radinho. E eu estou pensando se ligo o winamp.
Pensei em pesquisar as origens da vigília, mas preferi não. Imagino sempre algo bem medieval, assim, tipo uma corrente de fé antecipando uma invasão moura, pedindo misericórdia aos céus. Ou por fenômenos naturais - estiagens, enchentes, furacões, ou pelos cavaleiros das cruzadas. No limite, até, aguardando a volta de Jesus, após alguma previsão, sinal ou presságio...
Os portões da cidade fechados, guardas nas torres, alguns boêmios nas tavernas, bebendo muito, arrotando alto, comendo e praguejando contra o rei, os presos nas masmorras sem saber se era dia ou noite, uma cabeça de algum desobediente pendurada na praça central, ao relento, alguns membros da realeza na igreja, outros na orgia, outros dormindo nos luxuosos aposentos. Guardas à frente do palácio temendo fantasmas e passando frio. Tropas a mil quilômetros, mães desconsoladas, notícias desencontradas trazidas a cavalo. E uma vigília.
Mas aqui é Brotas, Salvador, Bahia, e o pobre cachorro não entende nada.
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