Tava lá, todo chique, em Pituaçu. Vendo a seleção, tomando cerveja sem álcool, chuva, engarrafamento. Mas foi bem divertido mesmo assim.
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Uma chegou para fazer uma pesquisa comigo, contratada pelo governo do estado por meio de um tal recém criado SAT, Serviço de Atendimento ao Torcedor. Ia me perguntando questões relativas à infra-estrutura, ao atendimento no estádio e tais. E eu respondendo tudo na maior sinceridade.
Quando a resposta era "boa" - várias foram, ao bem da verdade - ela passava adiante direto. Quando a resposta não era a mais desejada pelo governo, a atitude mudava.
- E a chegada ao estádio, foi boa, razoável ou ruim?
- Ruim. Muito engarrafamento.
- Ah, mas o senhor também chegou em cima da hora!
- O jogo era dez, eu cheguei sete. E ainda que eu tivesse chegado em cima da hora estaria insatisfeito com o engarrafamento.
Ao final da pesquisa, uns bons quinze minutos depois, havia um campo para sugestões.
- O senhor gostaria de dar alguma sugestão para as futuras organizações de eventos?
- Gostaria. Coloque aí, por favor, a sugestão de venda de cerveja COM álcool no estádio.
- Mas... Senhor... Eu não posso colocar uma coisa dessas aqui!
- Ué? Como não? É a minha sugestão! Faça o favor de colocar aí, sim! Eu não respondi sua pesquisa toda na maior boa vontade?
...
- Êpa! Eu falei COM álcool! Sem álcool tem aí. E é horrível.
No final das contas anotou.
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Perto da hora de começar o jogo, eu lá esperando, e sentados atrás de mim um garoto de seus oito/dez anos e sua mãe altamente maluquinha. Fiquei meio com pena, até, do pobre.
- Moço, moço! Ei, moço!
O cara, com um isopor da Kibon, sobe com o custo inerente a tal ação, uns três níveis da arquibancada que a esta altura já estava lotada.
- É água, aí?
- Não, senhora. É picolé...
- Não tem água?
- Não, senhora. Só picolé.
- Então o senhor faz um favor, para mim. Quando o senhor ver o moço da água diz para ele que é para passar por aqui.
O menino, que estava bem quieto, não se conteve mais.
- Você é abestalhada, é, mãe?
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O lugar que eu estava custava R$ 250,00. Lógico que eu não comprei - ganhei de alguém que ganhou de graça.
Mas o resultado mais interessante, socio ou antropologicamente, nisto, era a postura dos torcedores. Não tinha aquela animação de um Ba-Vi, ou de um Vitória e Flamengo ou Bahia e Flamengo, aos quais eu estou mais acostumado.
Teve uma hora que eu me exaltei um pouco e soltei uns palavrões. Depois olhei em volta e fiquei até com vergonha. Quase não saia um palavrão na torcida. O pessoal gritava mais coisas do tipo "Você é ruim!" ou "Não foi falta, não!", ou até "O juiz tá equivocado!".
Sem sal.