Era um desses domingos à tarde preguiçosos, assistindo Faustão, com o bucho cheio do Bobó de Camarão e do Vatapá de Dona Lurdinha.
Julinha, a neta, senta no sofá ao lado do avô, Seu Joca. Julinha tem lá seus trinta e poucos anos, e o avô passa dos oitenta, "mas com carinha de setenta e nove", dizem as netas.
Ela pousa a mão sobre as costas do avô, num gesto de afeto, e assim fica por alguns momentos, eventualmente acariciando-lhe sob o pescoço. Seu Joca, distraído, aceita a carícia, permanecendo com sua atenção voltada para a tevê.
- Ê, Vôzão!
- Diga, minha filha...
- Grande ano, hein? Mil novecentos e oitenta e dois...
O avô estranha um pouco, visto que estão beirando maio de dois mil e oito.
- Oitenta e dois, Júlia? O que é que teve?
- Ôxe, vô! Só tô dizendo que foi um grande ano! O movimento pelas diretas... E o senhor lembra da seleção?
- Eu até lembro. Era o time de Telê. Grande time! Acabou que perdeu para a Itália, por infelicidade. Mas você tinha oito anos e não estava nem aí para futebol...
- Ah, vô... Mas eu reparava um pouquinho...
A esta altura, Seu Joca tinha um ar desconfiado. Não olhava mais para a televisão, mas diretamente para a neta. Por um momento, ficaram os dois em silêncio.
- Sabe aquela galinha de vidro, que fica na estante do corredor?
- Sei, sei! Foi presente do...
- Do Coronel, não foi?
- Coronel Albuquerque! Ele e a esposa presentearam a mim e à sua avó, num jantar que demos quando eu fui promovido a Capitão.
- Quebrei...
- Ué? Não ouvi barulho nenhum?
- Foi em oitenta e dois...
O avô a encara um momento, se levanta e busca a galinha na estante. Examinando com atenção, percebe que o pescoço está colado e que há uma pequena lasca sob a asa direita. Volta-se para a neta.
- Em oitenta e dois, minha filha?
- É, vô! Mas eu não agüentava mais carregar esse segredo comigo...
- Agüentou por um bom tempo, hein?
- Olha: foi sem querer! Eu peguei da mesa de centro para colocar num lugar mais alto, porque Jana era pequena e estava querendo pegar para brincar. Aí acabei derrubando...
- Ê, menina desastrada! E é assim até hoje, né? Cê sabe que não tem importância, não, né?
- Sei, vô. Só precisava contar...
- Dá cá um beijo, minha princesinha!
Ela beija a bochecha do avô como fazia quando era pequena. O velho coloca a galinha de lado, no móvel ao lado do sofá, passa o braço sobre as costas da neta e volta a atenção para a televisão.
- Ê, Seu Joca! Vôzão!
- Ê, minha menina...
- ...
- E noventa e um, vô? Grande ano, hein?
[]´s
29/04/2008
Mil novecentos e oitenta e dois...
23/04/2008
Bobagenzinha...
Diógenes Pacheco
Vens para o aniversário de teu irmão? 15:27
Lu
Vous 15:28
Diógenes Pacheco
Vius 15:28
12/04/2008
Um momento na minha história...
Poucas vezes fui um estudante de primeira linha. Nunca estudava. Mas no segundo e terceiro ano, sob a pressão do "você tem que passar no vestibular", mudei um pouco.
Eu me sentia reconhecido, na sala, como provavelmente o terceiro mais bem-sucedido nas notas, na média geral. Tinha o Campbell, o Xampú, e tinha eu. Algumas das minhas notas, como redação e história, por exemplo, eram maiores até do que as do Xampú - mas na média ele ficava à frente porque em exatas ele mais que tirava a diferença, apesar de eu ter ótimas notas.
Era bom, porque não tinha perseguição com quem tirava notas altas - a turma toda era gente boa, bom relacionamento, cervejas e pagodes juntos, bons tempos.
Daiana era também uma aluna com desempenho de primeira, ali por perto da minha performance.
E um momento que eu me lembro, meio que de realização, foi uma vez no intervalo que Daiana perguntava sobre um problema de vetores para Campbell e eu, por perto, ao ver que ele não sabia responder, fui ao quadro e expliquei para os dois como era o funcionamento daquele sistema.
Sei que é bobagem, mas me lembro disso até hoje.
O assunto, na verdade, não veio por ele mesmo. Estou com várias cervejas na cabeça, e estava lembrando disso agora, ali, por conta de uma discussão de bar sobre inteligência, mérito, ascensão profissional e realização. Campbell hoje é rico - e não é pouco, não. Eu me defendo, aqui em Salvador, muito longe de ser rico (por muito leia-se um tanto mesmo). Daiana está no interior - sei pelo orkut - teve filho cedo, e não aparenta estar com o mesmo saldo de FGTS que eu...
Aí que nessa eu tava analisando que deu a lógica, profissionalmente. Mas no fundo, no fundo, o quanto isso importa?
Quer dizer: talvez Daiana seja muito mais feliz que eu e Campbell, talvez não, talvez as metas, os valores de cada um tenham sido diferentes.
A gente vai passando pela vida e vendo que, às vezes, desistir é uma coisa realmente boa. Porque nem todas as idéias, nem todos os planos, nem todas as minhocas que a gente planta na cabeça num determinado momento são bons. Ou, se são, às vezes são bons para um momento, e não para a vida inteira.
Eu tenho umas maluquices um tanto velhas, que eu acho que tô resistindo demais em desistir. E isso só me prejudica.
E tenho outras com as quais, com muito orgulho, vou até o fim.
[]´s
05/04/2008
Conquista! Ê-ô!
Acabei de empenhar a quantia nababesca de duas latinhas de cerveja, que o Vitória da Conquista vai ser campeão baiano de 2008.
Apostei com um torcedor do Bahia e um do Vitória (de Salvador).
No mínimo, se a “seleção” conquistense, o orgulho do sudoeste, for para as finais, tenho uma desculpa para ir assistir. (Mas tem que ser contra o Vitória, que se for contra o Bahia, descer para Feira para ver o jogo já é demais...)
[]´s
25/03/2008
Métodos.
Eu me lembro, não sem uma certa diversão, de uma vez que discutíamos comunismo num bar no Alto do Abaeté, eu e mais uns três duma turma maior, com cervejas e não sem alguma paixão.
Éramos outras pessoas, tínhamos outros gingados, outras percepções. Talvez menos juízo, mas nem tão menos. Aquela noite, inclusive, terminaríamos numa roubada, mas isso é substância para outra história.
Eu tive minha primeira moto, minhas aventuras de moto, minhas amantes, descobertas, minha faculdade interminável, meus fiéis camaradas, meu tempo em Candeias (e olha que esse item não é para qualquer um). Aprendi e desaprendi muita coisa. Meus dramas e minhas cenas, já tive também. Uma ou outra extravagâncias, um bocado de contingências.
Eu vejo lá no banco, não é regra, mas muito menos exceção, essa gente de métodos. Gente matinal. Pessoas que tomam de manhã seus Activias, comem fibras, praticam esportes, chegam cedo no trabalho, tem resposta para tudo, cuidam muito da família, arranjam tempo para ler, para visitar o interior, trocam de carro todo ano, saúde de ferro, amigos de sobra, futuro promissor. São pessoas casadas e felizes, ou, no máximo, solteiras convictas e felizes. Eu gosto dessas pessoas.
Eu me canso de ser tão mal-resolvido. Mas não sei se quero passar para o outro lado algum dia.
"Não dá. Amanhã tenho que acordar cedo para ir para o squash..."
(Não combina.)
14/03/2008
Era uma tarde quente...

A mesma aula de direito, de sexta, das nove à uma da tarde. Dessa vez eu cheguei mais cedo e estava sentado mais à frente. O professor falava ininterruptamente, com ênfases de voz, gesticulação abundante, interação com a turma. Havia aprendido o nome de uns quatro ou cinco alunos, aos quais pedia trechos de leitura, questionava alguns pontos do assunto, utilizava como exemplo para alguma lei.
A sala abafada, a acústica ruim, o burburinho constante, o calor que desanimava. Meu único alento era olhar aquela loira, ali perto. O professor sempre interagia com ela, o que me dava a desculpa perfeita para olhar para aquele lado.
A alguma altura dos acontecimentos o professor falou de sua profissão, delegado da civil. E, pouco depois, em algum desses exemplos, acionou a loira:
- Você, Helena! Você me disse que também é policial, né? Anda armada! Se acontecesse a situaç***...
O resto do que ele disse eu não pesquei. Depois da revelação de que ela era policial, o áudio da cena foi baixando, ficando confuso, insosso, e sumiu.
Essa Helena é minha colega em administração, e eu tenho reparado ela há uns dois semestres.
Pouco depois, por sugestão do grupo, o professor organizou a sala em semi-círculo. Ajudei com as cadeiras vazias, Helena bem ali do lado. Como não poderia deixar de ser, ficou uma cadeira vazia - porém com o material de alguém que devia ter ido ao banheiro, ou ao bebedouro - entre nós.
Logo após um comentário pertinente do professor sobre a igualdade de direitos, ela retrucou, virando para mim.
- É. Só que a mulher tem jornada tripla.
- Depende do caso.
Sorrimos cordialmente.
Pouco depois eu que puxei assunto:
- Ei.
- Hã.
- Não é cantada, não. Já reparou que você é completamente uma personagem de romance noir?
- Oi?
- É. Você é loura, bonita, elegante, dirige uma moto custom (ela tem uma Intruder 125 com bagageiros laterais de couro, que fica estacionada do lado da minha Tornado), e, ainda por cima, é policial civil. Sem falar no lugar onde você está. Uma sala abafada, monótona, com ventiladores funcionando devagar, sombra entrecortada, gente ordinária e desinteressada...
- Hahá. Gostei!
- ...
- ...
- E você? Que tipo de personagem você é?
- Eu?
- É.
- Nunca tinha pensado nisso... Mas eu não dava para grande coisa, não. Sou só um desses vira-latas que gosta de beber cerveja e jogar conversa fora.
- ...
- Acho que, na melhor das hipóteses, eu dava para ser o cara que toma cerveja, numa comédia. Talvez uma comédia romântica água com açúcar...
- Eu gosto de cerveja.
- ...
- ...
- Whisky combinaria mais... Mas... Tem alguma programação para hoje à noite?
É claro: tudo isso aí, a partir da hora que eu supostamente teria puxado assunto, não aconteceu. Foi um "flash-forward" desses, de personagem de comédia romântica. Desses que ficaram bem populares depois do Alta-Fidelidade. E que nunca realmente acontecem.
08/03/2008
Faculdade de Direito
Chego atrasado à aula e não tem nenhuma cadeira disponível. São mais de oitenta alunos enfurnados na sala Eugênio Lyra, que é meio que subsolo na faculdade de direito. Nenhum deles é estudante de direito, claro.
Dois ar-condicionados, um quebrado e outro ventando quase frio. As portas abertas, mas, como só tem entrada de ar por um lado, não circula vento. Quatro ventiladores, um parado e os outros três funcionando a umas quinze rotações por minuto. Quando a gente desce a escada já dá para sentir aquele bafo quente vindo de lá.
O professor de direito comercial deve ser mais novo que eu. Parecia até que sabia do que estava falando – ou pelo menos o que eu conseguia pescar, no fundão da sala, dividindo minha atenção com o joguinho (Zuma) no celular.
Eu cheguei umas nove e meia. Lá pelas dez ele começou a fazer chamada. Um camarada com a letra B no início do nome – acho que era Bruno – envergava uma camisa de Che Guevara.
- De todos os prêmios Nobel, só um foi para um comunista. E foi de literatura*! Nem foi de ciência! Sabe porque?
Ele mesmo completa, em sua solidíssima sapiência:
- Porque como é que uma pessoa, partindo de um princípio errado, mentiroso, que é o da igualdade, vai produzir alguma coisa certa?
Eu acho tão triste isso – essa gente que devia saber o quanto é importante o que se pensa e fala. Que deveria pensar um pouco mais antes de falar sobre política. Moleque mimado, que nunca viu o lado difícil da vida. Espero que se f*da bem retumbantemente qualquer dia, para aprender um pouco.
Eu podia ter dito, assim sem precisar pensar muito, que seria difícil a Suécia andar distribuindo prêmios para a cortina de ferro durante a guerra fria. E também que essa idéia de que a lei da selva é natural (até aí já tenho até minhas dúvidas, mas vá lá) e imutável, é, para dizer o mínimo, cinismo da pior qualidade.
Mas ao invés disso, respondi minha chamada, levantei e fui trabalhar. Não dá para ficar brigando com toda a ignorância que passa na nossa frente...
* Saramago
04/03/2008
Com um barulho desses.
Ratos nos cantos, condizem com tanto lixo, tralhas, tanta bagunça que isso aqui se tornou.
Todas as luzes acesas, escorrendo pelo ralo consciências, economias, possibilidades.
Todas as portas abertas, aguardando ventos e advertências, e a sujeira da cidade.
Eu já vendi todas as minhas folgas, para sobreviver mais um mês.
E ando ouvindo que sou um problema para as pessoas.
Estou muito atolado no trabalho e na faculdade para isso. Estou muito atolado nisso para o trabalho e para a faculdade. Aula às sete, no Canela.
Durma-se com um barulho desses.
(E nem para relaxar no quarto tá dando...)
(Want to gamble, drink and whore...)
[]´s
03/03/2008
Foi assim...
Alguns analistas acreditam que a missão dele é conquistar vinte e quatro territórios. (Outros ponderam que pode ser derrotar os exércitos azuis.)Os caras da Colômbia entraram no Equador para atacar as FARC. O mangangão lá, do Equador - vá saber o nome -, não gostou nem um pouquinho da invasão e abriu o verbo.
Aí, o velho Chavéz, como era de se esperar, entrou de sola na parada. Botou os exércitos superequipados na fronteira. O Equatoriano também não mostrou arrependimento, passou o sarrafo na embaixada colombiana, mandou o diplomata para casa. A Venezuela fez a mesma coisa.
Uribe, com jeitinho de cachorro que cagou no sofá, aninhou o rabo entre as pernas e foi pedir desculpas na televisão para todo mundo ver.
Só que nem o equatoriano nem o venezuelano aliviaram a barra. Um já foi à TV dizer que não aceita as desculpas, o outro já foi falar em guerra na América do Sul.
A rede Globo, para não ficar quieta, disse que os Estados Unidos não vão se meter na jogada. Não entendi bem o porquê da Globo ter dito isso. Mas o bichão lá já tá cheio de problemas, em crise econômica, estagflação, e talvez tendo que amargar o descolamento, com os fluxos de capitais indo na direção oposta em plena crise econômica, coisa inédita nos últimos, sei lá, sessenta anos. Eu, se fosse os Isteites, não desafiava a família Marinho agora... Todo mundo sabe que é fria. Vá saber...
Agora tá todo mundo na expectativa. O que é que vai fazer o Brasil?
(Fato: qualquer coisa que faça, tá se metendo em confusão. Não tem jeito.)
Xô ir que tenho agora uma aula de ADM-A95: Relações Internacionais.
09/02/2008
24/12/2007
Séries ETC...
A novidade em minha vida é o vício em seriados enlatados americanos. Eu já tinha gostado muito de Seinfeld, em sua época, e devorado Friends do começo ao fim, mas ainda não considerava isso uma fixação. Atualmente, acompanhando Lost, Prison Break e Heroes, não tenho mais como tapar o sol com a peneira.
Esses seriados são meio como as novelas daqui, só que a diferença básica é que você não fica preocupado em como o Arnaldo Tadeu vai conseguir provar para a Maria Julieta que o beijo que ela viu foi armação da irmã malvada para separar os dois. Agora há pouco, mesmo, três e tanto da manhã, eu terminei de assistir o segundo DVD da segunda temporada de Prison Break, e os elementos envolvidos na continuidade do meu interesse eram fuga da polícia, conspiração governamental, um sociopata que fugiu com os cinco milhões de dólares, e até o Fernando que tá indo resgatar a Maricruz que quase casou com seu primo mau, é bem verdade, mas para isso ele vai ter que despistar a polícia e o FBI...
Eu, com essas minhas idéias fixas nacionalistas, ainda fico pensando em porque é que a gente não consegue fazer uma boa série de TV aqui. Não acredito que faltem bons roteiristas, nem que falte dinheiro à Globo. Mas o que a gente tem de melhor (menos pior) é A Grande Família, talvez... (?)
Ficar vendo aquela xaropada de Agostinho e Bebel tá foda. Ninguém merece.
[]´s
22/12/2007
Fim de festa...
A casa está toda desarmada para a mudança. E este ano já deu o que tinha que dar. Fim de festa. Uma pitada de melancolia, um quê de satisfação, e uma certa expectativa de ressaca.
[]´s
18/12/2007
Pipoca.
Hoje cheguei em casa e, assim de surpresa, tive que telefonar para Rina e Carla (minhas nobres "salva-vidas" em assuntos médicos) , conseguir um médico em hospital público, e sair correndo de novo com Valdirene (a "babá") e Davi - o moleque.
Quase botaram fogo na casa com uma panela de óleo para fazer pipoca esquecida no fogão, enquanto assistiam TV. Davi abanou a fumaça sobre a panela, o que precipitou o incêndio, e Val tacou água no óleo para apagar. O teto está preto, a boca do fogão mais ainda.
Por sorte ninguém se queimou, mas pouco depois Val começou a sentir muita dor nas costas. Suspeitamos de intoxicação pela fumaça. No final das contas, o médico verificou e foi só tensão muscular por conta do susto. Tomou um Voltarém.
As vezes parece que as coisas desandam quando eu não estou por perto... E até outro dia eu era só um moleque - eu mesmo já botei fogo na minha própria mão, com álcool. Agora sou eu aqui cobrando que Davi estude na recuperação de matemática - aconteceu comigo, também, mas não na sexta série - e tirando as dúvidas dos exercícios, e tal. E decidindo quais brigas comprar e quais não.
Os papéis vão mudando e a gente se acomoda sem nem ver.
16/12/2007
Glutomancia...
Eu sempre fui muito cético, não acreditava nessas coisas. Mas de uns tempos para cá, li um livro sobre Raul Seixas e comecei a me interessar pelas ciências ocultas, pela magia, astrologia, e procurei me inteirar de muitas coisas - li até um tanto sobre Alester Crowley - e fiquei também super-interessado nas previsões de futuro - cara, como dá certo! Aprendi muita coisa! Artes chinesas, como o i-ching, de origem africana, como o jogo de búzios, quiromancia, astrologia (e o quanto nos dizem os astros...).
Descobri, inclusive, que eu tenho um certo dom para isso. As pessoas geralmente não me levam a sério quando eu conto, mas eu desenvolvi, através de muito estudo, uma nova técnica, derivada da quiromancia (sendo porém muito mais ocultista), que é a glutomancia.
Com a glutomancia é possível se entender a pessoa, seu futuro, seu lugar no universo, as forças que a regem, os sentimentos que crescem em volta dela. Através da análise dos glúteos. São três linhas bases constituídas: a "linha da vida", representada pela formação existente entre uma nádega e outra, as "linhas da cabeça": formações horizontais existentes sobretudo nas bundas mais velhas, e a "linha do coração", no lado oposto à bunda.
A técnica que desenvolvi tem esse detalhe de só poder ser utilizada com mulheres, pelo motivo óbvio e incontestável de que não há a menor possibilidade de que Vosso Mestre (eu) se aproxime e faça uma análise detalhada da bunda peluda de algum macho.
Mas se você é mulher, e leva realmente a sério a máxima de Shakespeare, que "há muito mais coisas entre o céu e a terra do que pode imaginar nossa vã filosofia", manifeste interesse (incluindo foto) para que - havendo horário disponível na minha agenda lotada - possamos marcar uma sessão.
Garanto que sua vida vai mudar...
(Exemplo do comportamento esperado na sessão da técnica ocultista.)
14/12/2007
Cor de Concreto
Às vezes eu penso em escrever, aqui, juntando pequenos fragmentos que me chamam a atenção num dia. Uns meninos subindo no muro da encosta, um encontro cordial entre três pessoas de um grupo político e outra de um grupo adversário, o velocímetro que está quebrado, a pintura cor de concreto, o sol brilhando na Barra. Como se isso fizesse algum sentido maior.
Será que nós, que somos coadjuvantes nesse mundo, temos realmente algo a dizer? Que novidade existe se eu viajo para Ouro Preto, se alguém me fecha no trânsito ou se a empregada está roubando latas de leite?
Ainda se eu curasse o câncer, inventasse a bomba, resolvesse o Brasil.
(Talvez, por essas e outras – e as pessoas não entendem – o que mais faz sentido neste mundo são os momentos ao lado destas lindas mulheres... Ainda que, vendo cinicamente, não chegue ao extraordinário, quem há de negar que supera largamente o insosso, o cor de concreto?)
01/12/2007
Férias.
Saí hoje de férias do trabalho. Mas fico preso em Salvador, por causa da faculdade e da obra. Para completar, estou de regime de novo - e portanto não posso beber.
Eu, que tinha pensado que essas férias seriam as que eu ia esquecer as coisas a resolver.
Mas tudo contribui.
[]´s
20/11/2007
Na Bíblia diz...
Confesso que nunca li a Bíblia. Mas, a julgar pelo repertório da minha sábia progenitora, tem coisas de muito valor.
* Quando eu achei que era uma ilha: "Evitai as aparências do mal."
* Quando quis encarar mais problemas do que pude, brigas maiores do que poderia ter chance: "Um homem não pode aumentar um côvado a sua altura."
* Quando a briga era grande mas não é impossível: "Esforça-te, tem bom ânimo e Serei contigo."
* Sempre: "Faz tudo com decência e ordem."
* E tem essa que ela me ensinou desde que eu era um molequinho, mas que até hoje repito antes de dormir: "Em paz me deito e durmo sossegado, pois só Tu, Senhor, me faz habitar em segurança."
(Em nome de Jesus, amém.)
[]´s
02/11/2007
25/10/2007
20/10/2007
Orkut
Engraçado, no Orkut: "companheiros para atividades".
Companheiros para atividades é um conceito um tanto abrangente...
Não seria um diálogo sem senso:
- No seu perfil diz que você procura companheiros para atividades, não é?
- É.
- Que tipo de atividades?
- Basicamente atividades sexuais...
[]´s
13/10/2007
Serpentes e Computadores...

É bem divulgado o desentendimento entre as gerações anteriores e o microcomputador. Mas esse relacionamento está longe de ficar só na falta de entrosamento. Talvez, por ser um pouco mais vergonhoso, não é tão propalada a certa mística que dava (e dá) contorno aos PCs no semiconsciente coletivo da turma dos "enta".
Apesar da introdução, não é uma dissertação - como de costume, vou contar "causos".
Alguns anos atrás, eu tinha um padrasto hippie e um 486. E como a vida não é tão simples, o padrasto tinha uma banda.
Certa vez, por uma destas ocasiões que a banda foi parar lá em casa, Maneca, um negão rastafári que devia fumar umas vinte gramas de maconha por dia, me perguntou sobre a possibilidade de eu "misturar a cobra e uma água do rio, lá, no computador e ele dar uma música". Na linha daqueles filmes em que, com um computador na garagem, fazia-se uma mulher linda, gostosa, com super-poderes e disposta a servir sexualmente seu criador até a última gota. (Certamente eu me dedicaria a esta opção, ao invés da serpente e da água do Pojuca para a tal música.)
E não estou generalizando a idéia do maluco-beleza para toda a geração.
Minha própria velha mãe, macaca-velha de Office, Corel, Internet e até alguns jogos, dá outro bom exemplo.
- Mas isso deve ser vírus, mãe.
- Ah! Tem mesmo, Diógenes! Outro dia eu tava usando o computador e pegou um vírus aí!
- Tô dizendo?
- Mas eu fiquei impressionada! Você já viu como é que o antivírus faz? Pega o bicho feio pelo pescoço e fica apertando no alto, assim!!!
Olhei uns instantes para a cara dela, para ver se aquilo era a sério.
Era.
- Você sabe que isso é só uma representação gráfica da limpeza do vírus pelo AVG, né?
- Ah, é?
Ou seja: minha mãe imaginava que pequenos orcs transitavam de alguma forma dentro do computador, e que um mini super-herói do AVG os perseguia e matava À UNHA... :)
[]´s
29/09/2007
O dia mágico.
Eu adio a curtição - boa parte dela -, para aquele dia mágico no futuro, quando todos os meus problemas estarão resolvidos.
Estava algo animado, atualmente, com a casa nova. Pensando que o dia em que eu me mudasse, e ajeitasse a casa direitinho, poderia ser esse dia prometido.
Estou fazendo planos de devolver os livros que nunca devolvi, aproveitando a reorganização da mudança. Doar metade do meu armário, jogar uns bons quilos de papéis velhos fora, me desfazer dessa cadeira velha do computador, que me dá dores nas costas, comprar um liquidificador novo e decente, uma mesa de sinuca, estabelecer um dia na semana para a turma (ou o que for possível recompor da velha turma) ir jogar um sinuca lá em casa, comprar uma rede para a varanda, um par de cachorros, levar a TV para a assistência, comprar um som decente, ver todo mundo que eu há muito estou querendo ver.
Mas estive pensando que meu eldorado não está assim tão próximo. Enquanto eu não me formar, meu tempo continua apertado, e a melhora da qualidade de vida fica em compasso de espera.
E depois de me formar, ao bem da verdade, vou querer melhorar no emprego ou de emprego.
O certo é parar de adiar.
21/09/2007
A síntese da noite.

A insônia é parte de mim. Parte da minha natureza. Agora são duas e meia da manhã, e eu não durmo. Perambulo entre os cômodos recortando minha noite em distintos pedaços, assisto um filme, uma parte do jornal, como o primeiro produto numa bela embalagem que encontro na geladeira, vou ao banheiro, verifico as mensagens...
E penso. Nessas horas me ocorrem as pequenas bobagens que monto em peças e transformo em um pouco mais desta excrescência, seiva salgada da boca seca e da pele mal-dormida, transmutada em lama e depositada neste mangue tétrico, de letras e interessâncias em blogues e afins...
Noutros tempos, mais alegóricos, lembro-me de ter pintado este mesmo quadro com diferentes letras - "sinais jogados entre dois portos, refletidos à noite duma baía com águas crispadas, gritando Save Our Souls". Algo assim.
Pintado, dobrado, e entregue em meio a uma galeria de imagens que fariam sentido para alguém com os olhos certos...
Um destes recortes da minha noite, agora, me fez lembrar palavras recentes do meu avô. Eu aprendi a sério isso - ouvir os mais velhos. Garanto que tem muito valor. (De preferência, pulando ao menos uma geração.)
O velho conversou comigo sobre a distância das pessoas, sobre as marés da vida - não nestas palavras, que nosso papo é prático. Mas em suma, disse que estes tempos que não aproveitamos junto com quem é importante, eles não voltam. (É claro, mas é bom sintetizar.) E a vida é curta, mas o tempo perto destas pessoas é muito menor.
Porque por curta que a vida seja, ela tem sempre umas cheias e vazantes, uns terremotos, uns freios de arrumação...
"Quando eu vim trabalhar em Salvador, meu filho, ficou a promessa de que a gente ia sempre se ver - minhas irmãs, meu pai e minha mãe. A gente era bem unido! Meu pai e minha mãe já se foram. Mas hoje, quando é que eu posso ver minhas irmãs mais? Tenho que cuidar da família aqui, elas tem as famílias delas lá, fulano tá doente, beltrano foi transferido para Juazeiro, e assim a vida vai."
É um baita dum exemplo.
E eu sou um destes caras que se afasta.
Minha mãe, outro dia, disse que eu sou muito ocidental. (Talvez isso explique um pouco porque eu recomendo pular uma geração - ou talvez minha ocidentalidade chegue à falta de autocrítica.) Ocidental no sentido de indiscrição, desequilíbrio, descuidado.
Mas eu acho que vou aos poucos. Sabe como é que funciona?
Tem gente que chega chegando - na nossa vida, à nossa porta, para nossa festa de aniversário, para nos visitar num hospital. Falando alto, "e aí", se abanca, ocupa um espaço, agrada ou não.
Tem gente que chega aos poucos, com um sorriso por dia no trabalho, anos a fio, e depois um café, e depois e depois...
Tem gente que a gente rema para ficar longe, e às vezes nem tem tanta certeza assim...
Tem gente que vai embora tão fácil que você se sente como se nunca tivesse existido. Tem gente que, por tanto que eu tenha feito, não foi embora.
Tem gente que vai embora às lágrimas, aos berros, aos poucos. Gente que evapora, gente que foi mas mais parece que ficou. Gente que, quem sabe não tenha ido...
E a verdade, a síntese da noite (que faz a insônia, quem sabe, valer a pena), é que eu queria estar por perto de muita gente, e estou de muito pouca...
[]´s
14/09/2007
Aqueles que fazem chover.
Futebol: babinha de fim-de-semana. Às vezes, a estratégia acaba sendo agir como se um dos jogadores – quando tem um bem ruim – não existisse. Normalmente não tem para que marcar ele, mesmo. Liberam-se todos da função de marcá-lo ou prestar atenção nele, sobrando mais volume de jogo para concentrar na retenção dos que realmente representam ameaça, e para o ataque.
Tem outros tantos casos assim... Por exemplo, se vamos organizar a lavagem da Oito de Dezembro, não dá para escolher a melhor data considerando previsão do tempo ou o escambau. Será, naturalmente, em Oito de Dezembro.
É claro que, apesar de estarmos desprezando estas variáveis, elas nos afetam. Quem garante que o tal "Braguinha " não vai ter um dia muito feliz, dar um chapéu no goleiro, o drible da vaca no zagueiro (que, naturalmente, chegou atrasado, já que não o estava marcando), bater três pontinhos, levantar a bola, virar o corpo e fazer um gol de bunda? E quem sabe se não vai chover o mundo oito de dezembro, e fazer um solzão lindo dia sete e dia nove? Paciência. São riscos que a gente assume.
Talvez, dadas as circunstâncias, o senado hoje seja não tanto o Braguinha, mas mais a possibilidade de chuva em oito de dezembro. Uma dessas variáveis, de diversas situações da nossa vida, que o jeito é desconsiderar. Nesse caso, porque foge de controle, é forte demais.
Acho que não devemos mandar mais imprensa para noticiar mais nada. Não precisa gastar tinta nos jornais, tempo na televisão, paciência na sacola das pessoas. A gente faz o seguinte: continua nossas vidinhas, trabalhando, produzindo, fazendo nossa parte pela sociedade, e deixa o senado lá quieto. Afinal, não adianta ficar dando uma de fiscais do senado, mesmo. Eles tem muito poder: passam por cima de ordem judicial para abrir a sessão, passam por cima da imprensa e da opinião pública, passam por cima das leis, da moral, dos bons costumes, da vergonha na cara, passam por cima até – vejam só – dos deputados federais.
Enfim. O que é que qualquer um pode fazer, se o senado faz chover?
PS1 - Não. Sendo responsável (e sincero), não acho que devemos fazer isso, realmente. Mas é que algumas vezes chega bate um desânimo...
PS2 - Quanto a Renan? Vocês me desculpem o mau-jeito, mas não posso deixar de admitir: Renan é um gênio. Se todos os políticos tivessem a cara-de-pau que ele tem, talvez hoje Roseana Sarney fosse presidente da república. ACM nunca teria sido cassado. Dirceu e Palocci fariam parte do núcleo-duro do governo, e assim sucessivamente. Renan tem cacife para presidente não do senado, mas da república. Só FHC chega perto dele em caradurismo, mas ainda acho que Renan dá aula – senão o tucanão tinha conseguido o terceiro mandato...
(Escrevi qualquer coisa menos séria no Expressões...)
12/09/2007
10/09/2007
Não é preguiça... Até que eu estava disposto a escrever...
Mas hoje, depois de carregar uns sacos de cimento, minha já combalida (LER/DORT) mão direita pifou. Tá doendo que só a gota, como dizem os alagoanos.
Ocorre que esse fim de semana conheci um paulista, que tá fazendo dinheiro em Salvador, como gerente de uma unidade de uma rede de lojas recém chegada a terras baianas, e veio me dizer que os baianos "não tem o ritmo" adequado. Ou seja: "baiano é preguiçoso".
Juro que não é preguiça, no caso, mas o pulso, para ser mais exato, dói muito, e com a esquerda digitando sozinha não vai dar para escrever tudo o que eu queria...
[]´s
04/08/2007
Vai, Playboy!
As revistas Playboy tem muitas características todas próprias. Mas hoje eu pensava, especificamente, na sua sobrevida.
Quer dizer - você não chega na casa do seu primo intelectual e encontra uma Istoé ou uma Veja de 1992, nem tampouco na casa da sua tia "candinha" e encontra uma Nova de 1987. Dificilmente o seu cunhado vai ter aquela Placar de 1997, exceto talvez se o time dele tenha sido campeão. Já as Playboys, ah, essas ficam.
Ficam porque a sua "notícia" principal nunca é velha (exceto, possivelmente, aquela última edição da Vera Fischer), e sendo assim sempre conservam um certo valor marginal, mesmo após sua época. Afinal, se não fosse a assinatura de Tio Lúcio no final da década de 80, talvez hoje eu e meus primos não soubéssemos quem foi Cristina Mortágua. Se o avô chefe não tivesse assinatura nos anos 90, poderíamos nunca ter tido a oportunidade de ver Isadora Ribeiro novinha, nuinha... E Carla Marins? E Cláudia Raia? Ah... Não quero nem imaginar a possibilidade de não ter tido aqueles momentos meus e de Cláudia Raia, na adolescência.
Engraçado que a essa durabilidade devo, também, uma certa mania minha. Não sei o quanto louco sou por isso, mas certas vezes, quando estou vendo uma dessas Playboys de boas safras, fico fazendo contas do tipo "Se a Maíra Rocha tinha 22 anos em 1995, somando doze, tem trinta e quatro... Ainda deve dar um caldo."...
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E, falando no assunto, outro dia me surgiu um exercício de lógica misturado com filosofia e que, de certa forma, tem a ver com Playboy.
Foi algo tipo:
Realismo:
A Luana Piovani deve ter uns vinte e nove anos, ou seja, tá na minha faixa etária. Dava para rolar qualquer coisa.
Mas eu sou um Zé Mané que, com vinte e seis anos, nem freqüento esses meios, para achar que possa ter chance com a Luana Piovani, ou seja, não estou aproveitando minha vida direito.
Otimismo:
Por outro lado, há dez anos atrás eu já queria comer a Luana Piovani. Estimo que de lá para cá, meu patrimônio pessoal tenha se multiplicado 4666,67 vezes. Se nos próximos dez anos eu conseguir manter o ritmo de evolução financeira, certamente vou ter uma chance com a Luana Piovani. E provavelmente ela ainda vai "dar um caldo"...
(Temos que ter esperança, ué...)
(Bem verdade que meu patrimônio pessoal àquela época era uns trocados na carteira. Mas isso é detalhe...) :)
[]´s
02/08/2007
28/07/2007
Gamão do Pan
Filho- O Brasil já tá encostando de novo em Cuba no Pan.
Mãe- Engraçado. Não sei porque o mundo inteiro se importa com isso menos eu...
Filho- É uma distração. Você, no caso, prefere ficar jogando gamão no computador e falando sozinha. Questão de preferências...
Mãe- Hmrf...




